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Campanha no ano 2010

Campeonato Paulista - 3ª Divisão

Acesso para a Série A2

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A vinda do treinador Felício Cunha para a Ferroviária foi um desses momentos no futebol onde tudo dá certo. Conseguiu acertar o posicionamento do time, utilizando praticamente todos os atletas do grupo montado por João Martins. Saíram Emerson Nhanhá, Reivan, Wanderson Cafu e Maycon Paulista. Desses o mais aproveitado por Martins foi Nhanhá, que já chegou sob forte oposição devido ao jocoso nome, mas também foi mal aproveitado no time. Tinha muita força física e era brigador, mas não fez nenhum gol. Teve até um a boa atuação na estréia em Taubaté, fazendo assistência para o gol de Júlio Cesar. Os demais não tiveram chance.

Aí chegaram algumas peças. A mais importante delas sem dúvida, foi Tobias, que se encaixou como uma luva, arrebatou a vaga de titular, fez gols e mexeu com o grupo e com a galera, com sua irreverência e criatividade. O goleiro Bruno Prandi somou, auxiliando o titular Roberto com sua experiência. Marcão era o tipo de profissional mais individualista e não aceitou a reserva, mesmo sabendo que suas inseguras atuações preocupavam a todo mundo. O chamado goleiro "mãos de alface".

No meio campo a principal virtude do treinador para mim foi a excepcional mudança na maneira de jogar do volante e xerife Rodrigo César. Perdido no esquema de João Martins, visivelmente fora de forma nas primeiras partidas, era o que ficava exposto à frente da zaga. Sem cobertura, a defesa grená sofria com as inúmeras oportunidades de gol de seus adversários, fazia inúmeras faltas para cartão amarelo, gastava energia demais, e coincidentemente (?) teve um recorde de contusões de seus zagueiros.

Após a chegada de Felício Cunha todo mundo no meio-campo passou a ocupar melhor os espaços, alternar a cobertura aos avanços dos alas Paulo Henrique e Assis e a zaga ficou menos exposta. Com a posse de bola, passou a atacar, e aí teve no meia Leandro Miranda a peça que construiu várias chances ao longo das partidas, para seus ótimos e incansáveis atacantes artilheiros Danilo Martins e Júlio César.

Felício pôs fim naquela insistente bobagem de João Martins em colocar o baixinho como camisa 10, armando, tendo um jogador diferenciado no elenco, com uma excelente bola parada e assistências em muitos gols. Vejam a virada contra o Bafo. Duas jogadas de bola parada de Leandro Miranda, que mataram a superioridade do Leão no jogo.

Os jogadores estavam lá. Felício apenas os posicionou e com muito trabalho e treinamento fez deles um time competitivo. Perguntado por Felipe Santilho, da Tribuna, se o time estava fechado, o treinador grená respondeu, com sua maneira peculiar e até crua, de tão objetiva: - O grupo tá fechado, o time não!

Não quis ficar para a disputa da Copa Paulista, mas deixou uma porta escancarada para uma possível volta no futuro. Espero que seja breve seu retorno.

P.V.